19 de março de 2011

sete


26 de março
11: 34
Depois de horas no carro, finalmente chegamos, mamãe não se deu bem de primeira com aquela imensidão de carros em rodovias grandes e rodeadas por prédios, eu estava na cidade grande. Seguimos o caminhão da mudança até nossa nova casa, na verdade prédio. Era bem alto, e bem na esquina, e uma bela rua, cheia de árvores e casa que eu achei muito chiques. Edifício Romênia, número 1407, tinhas duas árvores na sua frente sem flores. Ficamos encostados no carro enquanto mamãe acertava tudo com os caras lá da mudança.
 Gean ficou olhando o lugar, mostrou a direção a se seguir pra sua casa, esquerda subindo até uma avenida chamada 13 de maio. Disse que o ônibus a se pegar seria o 29, chamado náutico, interessante, fingi entender tudo. Mamãe voltou, tia Sarah tentava tirar sua enorme mala do pequeno porta-malas, pena ela não ter ficado mais tempo com o outro, carro alugado é assim mesmo né?!
- Gostei da árvore! - disse tia Sarah.
- Eu também!
- Rosa tá no auge.
- Hehehe.                           
 O porteiro, chamado Pedro e o sindico, Seu Antônio, nos guiaram até o elevador, Seu Pedro ajudou os homens da mudança, Gean também coordenou, eu e tia Sarah preferimos falar sobre o corpo perfeito de um dos caras da mudança e do tamanho perfeito do braço, coxa, bunda e lábios do Gean. Havia dois elevadores na sala de vidro, pela janela se via a piscina e algo parecido com um grande banheiro, a sala cheia de revistas jogadas organizadamente sobre os três sofás beges, era ventilada, o frio ajudava claro.
 A cidade era mais quente, Fortaleza era bem diferente de Guaramiranga, que obvio, principalmente pelo clima, como dois lugares tão “perto” podem ser tão distintos, enfim, o frio e as chuvas de Guará pareciam desaparecer atrás das imensidões de concreto e a poluição exacerbada. Saímos do elevador, um corredor branco, com plantas e janelas que se podiam ver todos os lados, tudo que havia em volta do Romênia. Entramos no apartamento, era uma caixa de fósforos no lado da chácara, mas, era grande, já havia alguns móveis, mas, eles desapareceram debaixo das caixas, em algum tempo toda a casa havia sumido, tudo estava desorganizado, parecia que seria pra sempre.
- Vamos começar rapazes.
 Aos poucos tudo deu certo, claro que naquele dia nem tudo foi pro seu lagar, mas demos uma boa adiantada, no fim da tarde mamãe pediu uma pizza, Gean ficou lá naquela noite, podemos conversar sobre essa nova fase no meu “quarto” bagunçado em cima do colchão:
- Eu conheço uma amiga que trata esse tipo de doença da sua mãe.
- Ela já tem um médico, o doutor Óto, ele já é nosso médico desde... Sempre, ele foi o médico do vovô, e foi meu médico quando eu tive poliomielite, acho que mamãe não queria deixá-lo agora.
- Com certeza, mas, ele pode não atender esse tipo de problema.
- Relaxa, ele faz isso sim, eles já conversaram e o plano de saúde cobre isso.
- Que bom.
- Você tá sujo de mostarda no seu lindo furinho do queixo.
- Hummmm... Tira ai bebê. – me inclinei e passei o dedo. Ele me beijou.
- Eu gosto tanto de você seu idiota.
- Olha, eu não sou idiota.
- Você é.
- Por que Sr. Hael?
- Porque você sai daqui, um lugar cheio de gente bonita, sexy, sei lá o quê mais... Foi pra uma cidade pequena passear, milhares de meninas deram em cima de você.
- Eu estava com você...
- É. Mas, porque eu?
- Hummmm...
- Porque você me escolheu?
- Primeiro talvez aqui não tenha tanta gente interessante como você, você é bonito sim, gosto do seu corpo, sua boca é linda, você tem um bom papo, é seguro, pelo menos às vezes, tá passando por uma fase ruim, normal, logo passa, mas você faz isso de um jeito que é lindo, é lindo ver você viver Bob Hael, eu queria ser assim como você sabe. Na sua idade eu era um idiota, era apaixonado por uma garota medíocre, que só pensava em grana, eu também era assim, só queria gastar a riqueza do meu pai, eu sou filho único, tudo sempre foi meu, eu só não soube usar aquilo de uma forma melhor, meus pais continuam ricos, eu não falo com meu pai há três anos, minha mãe trai ele com o massagista, me dá uma boa mesada até hoje, e nem sei se isso é viver. Bob eu sempre quis viver de boa, ser feliz, feliz mesmo. A chácara é o lugar perfeito, você soube usá-la perfeitamente, lá era seguro aqui não, você vai aprender que aqui nem tudo é como a gente quer. Eu tive que fazer escolha que eu nem queria...
- Tipo eu?
- Não, você talvez foi a minha melhor escolha.
- Valeu...
- Eu posso tá perdendo muito coisa, mas eu n ao me importo, pelo menos enquanto você tiver comigo eu vou estar bem...
- Eu não pretendo deixar...
- Mas você vai... – Gean nunca havia me olhado daquele, um olhar serio aquilo me assustou.
- O que tão horrível você esconde?
- Hehe...
- Isso não foi uma resposta.
- Eu quero você. É por isso que eu te escolhi. Vamos descer? – disse pegando no meu cabelo e beijando minha testa.
- Pra onde?
- Quando eu era adolescente eu ficava com as garotas na piscina do prédio.
- Eu não precisava ouvir isso.
 Ele riu, saímos do quarto, mamãe estava no quarto rindo sobre algum acontecimento ridiculamente engraçado de tia Sarah com algum gringo. Mamãe me ouviueu abrir a porta:
- Vão pra onde queridos? – ela estava pela voz nitidamente bêbada pelo vinho caro que Sarah trouxe de Portugal.
- Vamos à piscina voltamos já.
- Ok.
 Esperamos o elevador, vi que na casa vizinha a porta estava meio aberta, aliás, um dos quartos da casa era de frente pro meu, mas não vi ninguém. Achei até que não havia moradores, mas acho que tem sim. Chegou. Pude beijar Gean no elevador. Chegamos ao térreo, fomos em direção a piscina o porteiro nos olhava:
- Como é o nome dele mesmo? – perguntou G baixinho.
- Pedro eu acho.
- O Pedro viu a gente se beijar sabia?!
- Como?- tenso.
- O elevador tinha câmeras.
- Meu Deus! Tu não me disseste nada seu louco. A mamãe vai me matar.
- No prédio o porteiro sai cinco horas dia de sexta.
 No fim acabamos rindo disso chegamos à piscina o lugar era lindo, o chão vermelho, as cadeiras, pinturas na murada, uma portinha, a piscina devias ser duas vezes maior que a da chácara. Deitamo-nos na ultimas cadeiras lugar bem escondido e escuro, uma menina chegou falava no celular, gritava, aliás, “Seu louco”, ela era extremamente linda e adorável, l “Eu vou te matar Victor”,” Vá pra merda você, seu idiota”, “ Você bebeu?”, tentei não ouvir mais a conversa, Gean tentava meu beijar, mas eu estava extremamente envergonhado, ele nem nos via. Um cara chegou, alto, meio loiro, cara de sério, parecia chateado, mas... Ele era o cara mais lindo do mundo, Gean infelizmente havia perdido seu posto naquele momento, o cara era arrasador, tinha um corpo perfeito, braços fortes, apertadinhos numa gola pólo pretos. Fiquei paralisado. Gean percebeu minha face boba, eu não tirava os olhos dele e da discussão no deque:
- Victor você tava onde?
- Não interessa.
- Você é louco cara, seu idiota, sabia que todos estavam preocupados, aquela chata da Jéssica ligou uma 12 vezes na ultima hora, eu to de saco cheio disso, sua mãe já sabe disso. Seu pai tá dormindo, sai de lá a pouco, pobrezinho. Cê devia ajudar e não piorar as coisas.
- Desculpa tá?! Julianne não me enche viu.
- Eu to cheia.
- Sua mãe já disse que não vai mais pagar a faculdade particular. Acabou moleque, ou você estuda ou você... Sei lá o que será você.
- Caralhooooo.
- Eu quis te ajudar, mas a suas companhias né. Reforçam minhas teses.
- Você tá louca. – o cara, Victor saiu, foi pra sala, esperar o elevador, a menina ficou lá, sem ação, calada, triste.
- Vai tomar banho que você tá com cheiro de vodka.
 Gean me olhou:
- Bem vindo a Fortaleza. – ele é muito fofo. Dei um risinho.
 A menina se virou e nos viu meio envergonhada ela falou:
- Gente desculpa.
- Sem problemas. – Gean falou.
 Ela se aproximou:
- Ele é um bom garoto, mas... Mudou tanto.
- Normal, é a idade.
- Vocês são namorados?
- Hurrun...
- Que lindo. Vocês são meu primeiro casal gay preferido. – ela era cativante, viva. – Eu sou a Ju.
- Eu sou o Gean.
- Bob.
- Vocês moram aqui? Tipo casados? Cê é tão novo B! Nada contra, minha mãe me teve com 18 anos e minha irmã transa desde os 13 anos, ela é meio safada, mas eu sou meio normal. – não ela normal, definitivamente não, Ju falou tudo isso em uns 15 segundos, eu me perdi na segunda pergunta.
- Não. – Gean quase rindo. – Ele mora, eu não.
- Novo aqui né?
- Cheguei hoje. Vim de Guaramiranga. – eu falei.
- Que massa. Você também Gean? Tenho a impressão de já ter te visto.
- Eu moro aqui mesmo. Pode ser. Às vezes eu saio no jornal com meu pai e minha mãe. – Vocês se conheceram tipo... Internet?
 Lentamente contamos nossa história pra Ju, que amou, ficou como ela mesma disse chocada e gozada, Ju nos olhava com um belo olhar de carinho, realmente nos achava o casal mais fofo do mundo. Aos poucos começou a falar de Victor. Ele era seu primo, tinha 19 anos, sempre quis ser médico, mas, nunca se esforçou pra isso, tem péssimas amizades como o tal de Paulo Ribas, o problema é que ele saiu de casa na quarta de manhã, faltou à aula de cursinho, e foi pro Cumbuco, praia aqui por perto, não avisou nem ligou o celular.  A namorada pervertida e vadia dele que por acaso estudava com Ju, ficou louca e ligou o tempo todo pra Ju, que á odeia. Aliás, Ju estudava na mesma escola que eu iria começar a estudar em uma semana, que bom, eu poderia pedir pra ficar na sala dela, assim, já terei com quem falar.
 Já era quase 11 horas quando decidimos subir, Ju realmente adorava falar, bem que ela desceu no quarto andar:
- Vocês transam muito?- disse enquanto a porta do elevador fechava. Olhei pra Gean indignadamente louco pra rir tão lentamente que a porta fechou.
 Ju se virou pegou a chave e abriu a porta:
- Oi Amanda!
- Que é heim? Não me enche Julianne.
 Ju tristemente seguiu até o fim do corredor, abriu a porta, viu seu quarto perfeitamente rosa e arrumado, fechou a porta, viu que o seu melhor amigo Ruan havia mandado algum depoimento:
“Ei, nem te vi ontem na aula, desculpa, fiquei estudando, vou tentar o vestibular no meio do ano, quem sabe eu passe. Saudades, beijo minha linda.”
 Fechou o computador e dormiu.
27 de novembro
3: 12
- Oi Amanda.
- Oi amor. Ei Ju a mamãe ligou viu. Disse que ia dar tudo certo e que você devia ajudar o Bob. Aliás, ele é seu melhor amigo.
- Tá. – Ju sorriu e foi pro seu quarto. Enquanto a irmã ficou na sala vendo TV.
- Diz pro Bob que se ele precisar de qualquer coisa eu to aqui. Chama ele pra dormir aqui. O Victor deve tá chegando, o vôo chega 4 horas né?!
- É!
Ju tristemente seguiu até o fim do corredor, abriu a porta, viu seu quarto perfeitamente rosa e arrumado, fechou a porta, viu que o seu ex- melhor amigo, Ruan havia mandado algum depoimento:
“Desculpa”
“Eu acho que te amo”
“Perdoa-me”
Fechou o computador e pegou o celular:
- Qual seu plano? – Ju já sabia a resposta.
Seis de março
8: 30
- Por que você acha que eu gosto de você?
- Sei lá!
- Eu não gosto de você.
- Bom saber. – fui irônico.
- Por quê?
- Porque eu também não... Gosto de você.
- Nem sei por que eu tô falando com você.
- Por causa dela.
 David olhava o lago e nem tentava me encarar:
- Eu nem sei o que tá acontecendo comigo. Eu virei um monstro, eu bati nela cara. A Dani é a pessoa que eu mais amo na vida, ela me entende me respeita, eu nunca tentei fazer isso com ela.
- Ela te ama.
- Eu não quero que ela fique com você.
- Eu sou gay.
- Ela não entende isso cara.
- Não vai rolar nada.
- Eu sei. Mas, ela vai ficar de coração partido cara.
- Eu nem sei o que dizer...
- É melhor eu ir embora. Desculpa Bob.
- Sem problemas.
 Eu realmente achei que depois daquele dia ele nunca mais iria aparecer na minha vida, mas, parece que quando ele me viu com o Gean aquele sentimento de ódio voltou, sei lá, David voltou a ser um louco. Ele entrou no carro, ficou me olhando voltar pra casa, saiu.
- O que ele queria?
- Pedir desculpas.
- Que bom. Chega de problemas.
- Ele pareceu bem mudado.
- Sei lá, muito pouco tempo pra mudar meu filho.
- Pode ser. Eu prefiro acreditar nele.
14 de março
18: 35
 Vovó estava em casa, todos decidimos ficar lá naqueles dias, desde sexta eu e mamãe estávamos hospedados lá, vovó pareceu cada dia mais triste, calam, calada, cansada, doente e morta. Na madrugada de segunda ela partiu, tia Sarah acordou mamãe chorando:
- Ela não tá respirando Sophie, me ajuda, ela não está respirando.
 Vovó morreu enquanto dormia, estava extremamente serena, isso me acalmou, mas era muito estranho ter alguém morto em casa, Marcondes chegou logo, não havia o que ser feito. Vovó já havia cumprido sua missão aqui na Terra e tava na hora da gente começar a seguir a nossa também.
27 de março á quatro de abril
 Arrumamos a casa, tudo parecia funcionar agora, Gean foi me visitar três vezes naquela semana, não pôde dormir porque estava trabalhando com o pai:
- Sabe! Fomos tirar um foto pro jornal e eu falei com ele, eu pedi desculpas, ele também, eu fui à minha antiga casa, mamãe e eu choramos vendo fitas velhas, eu me chamou pra voltar a trabalhar no escritório, você me inspira Hael.
- Own. Que bom, que maravilhoso G, eu tô muito feliz por você.
- Sabe, eu já falei com o Pedro e ele achou massa você dormir no nosso apartamento quando você quiser.
- Claro, quando a mamãe tiver menos aperreada eu peço.
- Qualquer coisa, tem um chave lá reserva no armário de limpeza.
Numa noite eu esperava o elevador, depois de chegar da academia, comecei a malhar pra ficar gostoso pro Gean, enfim, Victor o primo da Ju apareceu:
- Oi.
- Oi. – respondi envergonhado.
- A Ju me falou de você.
- Você é meu vizinho do lado.
- Sério?
- Hurrun.
 Victor segurava um capacete vermelho, que o deixava mais sexy ainda.
- Eu estudo na escola dela, na sua também, é massa lá. Não sei se tem outros gays, mas... – ele disse suavemente, sem me zoar.
- Eu tenho... Namorado.
- Ah, ela tinha me dito.
- Pois é.
- Desculpa.
- Sem problema.
- Eu também namoro.
- Massa.
- Mas, é uma menina, ela também estuda na sua escola, nos temos uns probleminhas, mas ela gosta de mim.
- E você?
- Eu o quê?
- Gosta dela?
 Chegamos no 13º andar, saímos, ele foi comigo até minha porta:
- Importa?
- Claro. Eu só tou com o Gean porque nos gostamos, eu gosto dele e ele de mim.
- É difícil.
- Por quê?
- A Ju me disse que tem muita menina atrás de você.
- Isso não significa nada.
- Enfim... Não é legal nós discutirmos isso.
- Também acho. Victor Natanael.
- Bob Hael.
- Valeu cara, boa noite, vizinho.
- Boa noite.
 Quando cheguei ao meu quarto finalmente vi a janela aberta, era o quarto dele, pelo que vi bem normal, bem homem, ele havia me deixado meio sem graça, ele é muito lindo, mas era meio arriscado, não podia deixar o Gean por algo arriscado. Alias, eu não podia deixar o Gean:
- Ei Bob.
- Oi.
- Foi bom te conhecer.
 Ele era muito conquistador, não tinha jeito ou cara de gay, mas... Frases como essa me davam esperanças.
- Boa noite Hael, durma com os anjos.
  Falei com mamãe sobre isso ela achou isso perigoso, tinha medo do Victor ser hétero é me humilhar caso eu falasse sobre isso com ele. Talvez ela estivesse certa.
 No fim de semana tia Sarah foi embora, arrumou suas malas, chorando e bebendo vinho, Gean trouxe uma bela lasanha que comemos rindo e chorando na sala. Fomos ao aeroporto. Mamãe ainda se lembrava da cidade, do tempo que morou lá durante a faculdade de Direito.
 - Cuida da sua mãe viu! Qualquer coisa que acontecer você me avisa. Qualquer coisa...
 Na volta Gean dirigiu o carro mamãe estava meio sem forças, subimos e passamos o fim da tarde vendo filmes de drama, Gean me abraçava o tempo todo, fomos a piscina, dessa vez havia uma galera por lá, eu não me importava, eu estava com ele, ele me lembrava as musicas da Cássia Eller, sei lá, All Star, Por Enquanto um monte, era perfeito, pena que nada dura pra sempre...
27 de novembro
3: 15
 Estávamos numa loja de conveniência de um posto de gasolina na saída da cidade, Gean botava gasolina no Siena prata novinho que havia ganhado do pai, Ju havia me ligado, nem eu sabia qual o plano, mas eu sempre me dava bem no improviso:
- Falou com ela?
- Consegui sim.
- Podemos ir?
- Claro, só preciso de um minuto.
 Eu sabia que assim que nos afastarmos um pouco da cidade, o celular ficaria sem linha, olhei o movimento na rodovia vazia, tudo na frente do lado e atrás do posto era grama e escuridão. Procurei na lista de contatos, liguei:
Liguei pra ela:
- Tia?
- Oi Bob.
- É que...
- Diga...
- Tia...
 Senti uma respiração.
- Fala logo Bob Hael...
- A mamãe morreu...

21 de dezembro de 2010

seis


1 de março
12h
 Cheguei da escola na segunda na expectativa de encontrar tia Sarah já em casa, mamãe me deixou na porta da chácara e voltou pra rádio. O dia estava nublado, eu teria que estudar pra prova de química amanhã, por isso chamei a Dani, uma colega minha pra estudar comigo, ela iria vir no fim da tarde, o irmão dela nunca gostou de mim, mas...
 Desde o primeiro ano o cara me atormenta quando ele saiu da escola foi um alívio, pena que ele continua na cidade, coisa que vai mudar já que o pai deles conseguiu um voltar a um antigo emprego que tinha em Fortaleza, na verdade eles são de Recife, mas sempre viveram em Fortaleza, até o pai vir pra Guaramiranga, pouco tempo depois eu os conheci, Dani sempre foi muito doce, nesse ano ela mudou completamente, os belos cabelos loiros grandes e torneados, deram lugar a um corte bem curtinho, que mal chegava no queixo, eu a considerava a mais bonita da cidade, o irmão também, David, tinha um rosto encantadoramente lindo, o que deixava sua maldade mais cruel, ele tinha uma cara de ano que não acomodava tanta maldade.
 Tia Sarah chegou umas duas horas da tarde, mamãe a trouxe emocionada, vovó que não via a filha há uns três anos, não pode segurar a emoção, todos precisavam de um pouco de emoção, ela trouxe um monte de roupa, perfumes e um presente que me deixou entusiasmadíssimo, um iphone, novinho, cheirinho de novo, além de um notebook vaio azul, era muito lindo, eu abandonei o velho PC durão, e com monitor gordo pra sempre agora.
 Minha tia trabalhava com moda e isso era bom, já que não tinha filhos todas às regalias sobrava pra mim, isso era muito massa, roupas caras, tênis caros, tudo caro, coisas que ela ganhava de graça ou comprava em suas viagens pelo país e pelo mundo. Além de usar roupas muito perfeitas tia Sarah parecia uma modelo ainda, mesmo depois de abandonar a velha profissão, cabelos loiros curtos, mas maiores que o da Dani, com algumas mechas morenas a diferenciava mais ainda da mamãe, que com o tempo deu um engordada, não muito, mas o necessário pra ganhar alguns números na balança.
 Tomamos o café da tarde, fofocamos, mamãe lembrou-se de Marcondes:
- Ele continua muito charmoso. – disse mamãe morta de empolgada.
- Nem me fale, próximo assunto gente...
 Fiquei esperando Dani na varanda, nem um pouco atrasada ela chegou com o irmão me olhando torto, nem dei bola, a beijei na bochecha, subimos e fomos pro meu quarto, o que ela não sabe é que eu sou gay, por isso que ela continuava gostando de mim, pelo menos foi o que uma amiga dela me disse, que amiga, e o que aparenta.
 Estudamos, ela me olhava às vezes esperando algo mais que um sorrisinho meia boca, percorria minhas mão escrevendo, meus lábios enquanto eu falava, a verdade é que aquilo me assustava, ela era linda, mas só isso, eu não sentia nada por ela. Eu sinceramente nem sabia o que dizer.
 Ficou tarde descemos, as escadas, passamos pela sala, todos se despediram, saímos e pude ouvir como um ruído:
- Pena que o irmão é um perturbado.
 Chegamos a varanda, o som dos sapos e grilos, cri, cri, cri, ela me olhava diferente:
- Dani... – quis quebrar o gelo.
- Bob?
- Seu irmão me odeia né. – porque eu sempre falo nele?
- Ele é difícil, não é só com você.
Cri, cri, cri.
- Mas eu gosto de você.
- Eu sei. – disse sorrindo.
 Estávamos sentados na varanda, ele se aproximou e me beijou, Dani era corajosa, mas isso me assustava, pude ouvir o som do carro se aproximar. Tentei alertar...
- Da...ni...
 Ela não me ouviu. David parou o carro e saiu dele descaradamente desesperado, começou a gritar:
- Solta ele...
- David.
 Pegou Dani pelo braço firmemente e pôs no carro. Ela ficou calada, minha mãe saiu de casa:
- O que tá acontecendo.
- Ela me beijou. – disse aterrorizado.
 Davis acelerou e logo sumiu pela escuridão.
- Ele é um louco, esse menino precisa aprender a viver.
 Eu sempre achei que ele só precisava ser ouvido, tinha pena dele, e as vezes eu gostava dele, nem sei porque. Eu sou um burro, nem todo mundo pode mudar, porque nem todo mundo quer mudar.
2 de março
11h
 Parece que o pesadelo nunca vai passar, eu esperava mamãe na frente da escola, Dani apareceu.
- Oi Bob.
- Oi Dani.
 Envergonhada Dani ficou na minha frente meio calada.
- Desculpa por ontem.
 David chegou buzinando, saiu do carro, Dani foi em sua direção.
- O que você tá falando com esse gayzinho heim? - David estava descontrolado.
- Ele é meu amigo!
- Você ficou com ele, um viado sua idiota. Eu vi.
 David chegou a mim, me deu um saco, caí.
- Seu idiota! - Dani tentou afastar David, mas ele deu um tapa nela, eu levantei tentei algo.
 - Eu to sangrando. Socorro! 
 Dani estava sangrando pela cabeça. David me soltou. Olhou pra irmã caída no chão, todos fomos pro hospital, minha mãe chegou desesperada:
- Seu vagabundo, ridículo...
 Ela gritava com David que permaneceu sentado de cabeça baixa.
- Mãe passou.
- Não passou nada, Bob, chega.
-Mãe.
  Aproximei-me dele.
- Sim David, eu sou gay, muito orgulho disse, não tenho vergonha disso, não tenho vergonha de quem eu sou você que precisa aprender alguma coisa aqui, você afasta todo mundo de você cara, isso só e ruim pra você.
- Você não me conhece.
- Conheço o bastante pra saber que... – falei baixinho. – Você gosta de mim.
- Você é louco.
- Não, você é louco.
 Sai e ele ficou lá, olhando pro nada, esperando Dani, que não falou mais com ele. Os pais lhe deram um castigo, coisa boba, nada suficiente para parar a fúria do menino, eu nem sabia se ele gostava de mim, talvez não, arrisquei, e deu certo.
25 de março
19h 46min.
 Alguém chamou a policia, em poucos minutos todos estávamos na delegacia da cidade, David e Gean de frente um pro outro com os olhos roxos, foi até engraçada a cena. Mamãe chegou quase louca, tia Sarah nem aparecer assim como Pedro, que provavelmente estavam transando em algum pinto da cidade.
- O que tá acontecendo aqui delegado? - mamãe parecia e estava histérica.
- Os dois jovens foram encontrados se matando pela rua. - disse o delegado meio tenso, gaguejando, e com uma voz impressionantemente engraçada. Quase ri.
- Eu vou matar vocês dois!
 Gean tentava se acalmar. Abraçava-me, mas num conseguia parar quieto. Eu tentava ver os machucados, mas não deu.
- Eu já liguei pro meu advogado, pode ir embora meu bem.
- Eu não vou te deixar sozinho. - eu não vou abandonar ele logo agora. - Mãe vai dormir eu fico aqui. O Pedro vai me deixar mais tarde.
- Não vou deixar você nesse lugar assim. – disse mamãe.
- Meu advogado vai chegar pela manhã, pode ir.
- Não vai precisar rapaz! - disse o delegado voltando da sala onde David estava com a família. - Eles não vão prestar queixa.
 Todos ficaram surpresos. Saímos. Entramos no carro. Gean pôde dormir na minha casa.
- Eu acho que eu te amo carinha.
 Gean me surpreendeu enquanto eu limpava os ferimentos, sentei no colo dele, o beijei, mamãe chegou:
- Gente eu trouxe esse remédio aqui. – disse meio envergonhada. – Cicatriza melhor.
 Deixou o remédio sobre a mesa.
- Você pode morar comigo, a gente pode ficar junto mesmo.
 Levantei:
- Não posso.
- Por quê? Cê vai poder ver sua mãe sempre.
- Não vamos pra lá só pra morar G.
- Como assim?
- Minha mãe tá com câncer.
 Ele não soube o que dizer, eu comecei a chorar, Gean se levantou tirou o algodão ensangüentado da minha mão e me abraçou:
- Eu vou te ajudar.
- Brigado.
 Fomos dormir juntos, nada de sexo, mas foi maravilhoso,é muito bom ficar agarradinho com você gosta, foi uma das melhores noites da minha vida.
19h
 Sarah foi deixar mamãe no sítio:
- Vou à casa da mamãe pegar minha ultimas roupas esqueci oh.
- Deixa pra amanhã.
- Não...
 No meio da estrada o carro para e alguém entra, tia Sarah estaciona o carro atrás da igreja e os dói começam o amasso, era Pedro, que depois de passar todo o jantar alisando as pernas de Sarah conseguiu o que queria, nem tudo, aliás,  Marcondes que estava indo pra casa viu de longe o carro da ex namorada e se aproximou, ao chegar perto e vê o que esta rolando fica doidinho.
- Sarah. – o médico quase quebra a janela do carro enquanto bate nela em busca de respostas.
Sarah abaixa o vidro lentamente, envergonhada:
- Marcondes o que você tá fazendo aqui?
- Ah cara deixa de encher o saco da moça. –diz Pedro que já estava com a camisinha na mão.
 Sarah sai do carro.
- A gente não tem nada Marco, não tenho explicações a te dar. – diz tremendo desde a mão a própria voz.
- Eu te amo.
- Você mentiu pra mim.
- Que?
- Você tem um filho com a Sandrinha.
- Não.
- Chega de mentiras.
 Minha tia entrou no carro, saiu:
- Vou te deixar em casa Pedro.
- Eu posso te acalmar.
- Não quero, desculpa gostoso.
- Ok.
 Ela volta pra casa, hora de chorar.
 26 de março
9h.
 Havia folhas na piscina. A velha árvore estava perdendo sua cor usual. Gean ficou me olhando nadar por um tempo. O tempo nublado deixava o ar mais frio, Gean foi embora, fiquei arrumando as malas, roupas, tênis, carregadores, notebook, iphone, celular, filmes, CDs, jogos, TV, Xbox, tudo. A casa havia se tornado um mar de caixas marrons, poucas coisas restavam, Tia Sarah meio abatida pela noite anterior, estava toda inchada e cheia de olheiras. Mamãe firme e forte arrumando a casa.
 Os caminhos chegaram ao fim da tarde, mamãe se despediu da casa cômodo por cômodo, a casa estava cinza e triste, assim como mamãe que veio chorando, Gean me abraçou, me confortou, ele sabia me fazer me sentir bem, , as janelas foram fechadas, as portas trancadas, Gean e Pedro saíram na frente em direção ao hotel, mamãe entrou no carro, todos entramos:
- Vida nova. – tia Sarah tentando animá-la.
- A gente volta.
- Não sei filho.
 Gean decidiu conosco, Pedro só iria no domingo, dia que iria acabar o campeonato, coisa que ele perdeu há muito tempo, mas, ele trabalhava pra um dos patrocinadores, o que o prendia até o fim da competição. O caminho era longo, mamãe só teria essa chance, seria o melhor a se fazer.

19 de dezembro de 2010

cinco

27 de novembro
2h 50min.
Percorri o corredor frio, fechei a porta da varanda aberta, o chão molhado quase me fez escorregar, Gean apareceu arrumado:
- Você quer ficar aqui hoje?
- Gean eu...
- Não tem problema, ninguém vem hoje, o Pedro vai dormir na casa duma gatinha dele.
- Não posso.
- Por quê?
- Eu preciso de você. – realmente eu estava tenso.
- Bob, você sabe que sempre vou tá aqui pra você.
- Eu quero que você me leve pra casa.
- Vou pegar a chave do carro, não, melhor. Eu vou chamar um taxi, posso dormir lá?
- Vai sair caro um taxi pra lá.
- Não heim.
- São só uns 10 quarteirões.
- Eu quero que você me leve pra Guará.
 Gean ficou me olhando pasmo, ele continuava lindo, e a barba ralinha dava um ar bem sério. Mas era passado, nós agora éramos quase estranhos agora eu só sabia que ele era um canalha e ele só sabia que eu era um idiota.
22 de março
07h.
 Acordei preparado para o que iria acontecer naquele dia, esperei mamãe sair com tia Sarah, liguei pro G, que já estava a caminho, chegou me beijou subimos as escadas, ele estava bem mais feliz que os outros dias, na noite anterior a gente havia combinado tudo. Seria tudo perfeito, segunda a mamãe sempre ia ao salão antes de ir pra rádio, naquela semana ela iria se despedir dos fãs e do trabalho tão querido.
 Tia Sarah decidiu ir entregar os últimos livros a biblioteca e eu ficaria sozinho em casa, minha mãe já havia me tirado da escola, já havia combinado a nova matricula na nova escola. Nós iríamos viajar na sexta, eram meus últimos momentos na chácara eu teria que aproveitar intensamente.
 Subimos as escadas Gean me abraçava e beijava de uma forma bem mais quente que as outras vezes, nos deitamos na cama eu o ajudei a tirar a camisa vermelha, de repente o prazer de ficar com ele foi elevado, e muito. Ele era maravilhoso, e foi à escolha certa. Sei que foi rápido, mas...
 E daí? Eu to afim ele também, nós estamos usando e camisinha e nos gostamos, eu não quero perder mais tempo. Eu quero viver, quem sabe um dia aparece uma doença em mim. Eu não quero olhar pra trás e ver que eu perdi meu tempo. Eu quero olhar e dizer:
- Eu faria tudo isso de novo.
07h10min.
 Mamãe dirigia pela estradinha verde e molhada:
- Mulher eu esqueci minha bolsa – mamãe disse pasma olhando pra estrada, enquanto isso Sarah se maquiava pelo espelho do carro.
- Mulher eu te deixo lá e venho pegar.
 Foi assim que rolou, mamãe entrou no salão, tia Sarah entrou no carro, voltou pra chácara, lembrou que eu tinha deixado iphone carregando na sala e foi levar pra mim. Merda de iphone. Eu e Gean estávamos tomando banho juntos, meu deus, muito bom, que homem gostoso. Pudi ouvir Sarah tentando abrir a porta olhei pra Gean:
- Fudeu!
- Bob?
- Pera tia.
 Sai do banheiro peguei a toalha abri a porta de forma que só minha cabeça ficasse amostra:
- Seu iphone!
- Valeu.
- O Gean tá ai?
 Como ela sabia?
- N... Sim.
- Quero ver vocês na sala em cinco minutos. – disse bem séria saindo da minha visão.
 Gean estava se secando, a cara de preocupado estava muito evidente isso me deixou nervoso, descemos a escadas de mãos dadas. Ela estava sentada no sofá balançando uma das pernas cruzadas. Nos sentamos no sofá a frente dela:
- Vocês estavam... Transando?
- A culpa é minha. – disse Gean tentando acalmá-la.
- Eu sei.
- Desculpa.
 Eu nem sabia o que dizer.
- Eu fiz por que eu quis tia.
 Certo, isso não ajudou.
- Não tem problema gente, é normal, é bom. Mas... Gean eu quero falar com ele a sós.
- Tá.
 Gean beijou minha testa e saiu em direção à piscina. Sarah ficou me olhando, não sérias, mas, preocupada.
- Eu não quero que você ache que eu sou uma chata, mas... Você acabou de conhecer esse cara. Você nem sabe o que ele quer da vida, que doenças têm, sei lá. Ele é um estranho.
 Ela estava certa, eu tinha vacilado mesmo. Mas, á pouco tempo atrás eu me achava o dono da razão, eu tinha planejado tudo, iria ser perfeito.
- Vocês se protegeram?
- Hurrun...
- Que bom. – nitidamente mais calmo.
- Sua mãe só tem você, querido, ela precisa de você agora. Você ficar com ele, mas nunca se esqueça que sua mãe te ama muito mais que ele, ou qualquer outro garoto. Você é um bom garoto, eu sei como é. Você esta maravilhada com ele, ele é muito lindo mesmo, eu sei. Mas não perca o foco, não deixe de vier por causa disso. Eu sei o que estou dizendo Bob.
 É eu sei.
08h55min.
- O Pedro deve estar chegando, eu queria passar o dia aqui, mas... Acho que estraguei tudo, desculpa.
- Não teve problema.
- Eu quero que você saiba que você não é qualquer um pra mim, pode até ser no começo, mas agora eu gosto de você de verdade, pode crer, eu posso não ser o melhor cara do mundo, mas isso é verdade. O que eu sinto por você é real. Sempre acredite nisso, eu gosto de você de verdade.
- Eu sei...
  Não eu não sabia, não sabia como era ser enganado, como eu me sentiria ao ser abandonado, mas, Gean pode me fazer sentir assim, enganado, ele acabou comigo e nem precisou se esforçar muito pra isso, ele só precisou ser ele mesmo. Um canalha.
25 de março
09h.
 Os dias passaram, a chuva voltou, mas agora ele estava comigo, me abraçando, sempre me deixando mais amparado, as vezes mamãe chorava de noite, eu ouvia mas não queria que ela soubesse isso, ela reagiu ate bem quando contamos sobre termos transado, Gean pedia pra namorar comigo pra ela, seria nosso ultimo dia na cidade.
 Tia Sarah acordou cedo e foi ao consultório de Dr. Marcondes, iria receber o resultado do exame de câncer, esperou na sala de espera, tensa, no rádio ligado na recepção, podia se ouvir mamãe se despedindo dos fãs.
-”... Quem sabe um dia eu volte, eu estarei feliz sempre que lembrar de vocês e desse lugar maravilhoso, vocês não são só minhas ouvintes são minha amigas, numa bela amizade construída nesses últimos anos que foram maravilhosos estando aqui sempre, eu sinceramente, amo vocês...”
As recepcionistas se emocionavam ouvindo a despedida da ilustre amiga, mamãe faria falta, o seu programa era o melhor de toda a região, ela já recebeu várias propostas em outras rádios, inclusive em Fortaleza e agora que estávamos indo pra lá, novas propostas apareceram, mas ela não aceitou, queria algo, mas esperado, algo que ela havia esquecido no tempo, ser advogada.
 Sarah foi chamada ao consultório, andou lentamente pelo corredor, abriu a porta, Marcondes estava sentado atrás da mesa lendo os exames.
- Oi.
- Oi.
- Você não tem a doença.
 Sarah sentiu um alivio que a fez poder respirar de novo, sorriu pra grande amor do passado, tentou pegar os exames...
- Sarah.
- Oi.
- Eu quero falar com você.
- Sobre?
- Sobre nós.
- Marc...
- Eu sei que eu errei, eu sei que você não merecia nada daquilo, eu era jovem e um  idiota, mas eu mudei. E eu sei o que eu quero. Eu quero você. Eu quero ficar com você, casar com você, quero você comigo pra sempre.
 Sarah sentia um sentimento muito grande por ele, talvez fosse amor, mas, ela não estava disposta a perder a vida de solteira, a vida alheia a qualquer um, uma vida construída com muito esforço, sozinha.
- Eu não posso.
 Ele a beijou. No corredor Sandrinha pode ouvir toda a conversa, ela sabia exatamente o que fazer pra afastar os dois de novo, não que ela tivesse alguma chance com ele, mas não aceitava Sarah ter. Sarah se afastou e saiu da sala.
 Sandrinha a seguiu.
- Você não vai cair nessa de novo né?
- Eu te ignoro.
- Você continua a mesma pirralha, nem sei como ele te quer.
- Sai daqui, sua vagabunda.
- Ok. Mas saiba que ele mentiu, eu tenho um caso com ele.
- Sem comentários.
- Não acredita é bonequinha?
- Claro que não sua biscate.
- Eu tenho um filho com ele, é, todo mundo sabe, até você, o meu mais novo é dele. Parece né. Puxou o pai, até disse que seria medico, que lindo. É algo genético.
 Sandrinha saiu, deixando Sarah desamparada no corredor com cheiro de remédio. Ela saiu de lá, entrou no carro, chorou, e lembrou:
- Todos são iguais.
19h
Peguei o celular, as chaves, o bendito iphone, desci as escadas me olhei no espelho da sala, estava lindo. Gean me esperava, estava lindo com uma blusa de mangas longas cinza e gola V, quase deixando amostra seu peito sarado, uma calça jeans bem skinny escura, um tênis preto Nike completava o meu príncipe encantado. Eu? Eu usava uma calça bem parecida com a dele, minha tia me trouxe, ela achou minha cara, com uma regata branca com algo preto perto do colo. Tia Sarah nos esperava no carro, todos iriam passar a noite na cidade. Seguimos pela estrada fria, não chovia, mas o frio estava em alta. Fomos pegar Pedro, que ficou na frente dando em cima da Sarah, ficamos atrás nos paparicando, eu me sentia a vontade pra beijar ele lá, eu estava seguro.
Comemos pizza, rimos, bebemos, brigamos, enfim, foi um noite diferente, muito boa, pelo menos durante o jantar, não foi uma boa idéia levar Gean pro jardim da vovó de novo, não por nós, mas alguém que eu pensava ter desistido da sua perseseguição por mim, David.
- Para de falar desse cara, relaxa, eu to aqui.
- Ele me olhou estranho na rua, e você é o que me dá medo.
- Eu vou te proteger.
- E quem vai te proteger?
 Era melhor eu relaxar, pelo menos eu pensei isso.
- Oi.
 David havia nos encontrado, pelo muro baixo ele nos olhava com uma cara de ódio bem ofensiva, Gean o encarou por algum tempo.
- O casalzinho está se escondendo pra poder se beijar é? Que nojento. Cara você vaio pra cá e pega a pior merda da região, isso é ruim heim. Tanta mulher no mundo. Eu tenho vontade de vomitar em vocês, eu devia acabar com você Hael, seu mentiroso, viadinho ridículo, enganou minha irmã. Você é desprezível.
- Cala a boca cara.
- Huuuu... O viado quer ser macho, não dá boióla.
 Foi assustadoramente bom ver Gean dar um soco nele, que pulou o muro, e começou a bater em Gean, eu tentei separar, até que David me acertou e cai.